segunda-feira, 19 de outubro de 2009
Lula diz que o Brasil merecia uma obra como a do rio São Francisco
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta segunda-feira que o Brasil merecia uma obra como a que está sendo realizada no rio São Francisco. Na semana passada, Lula passou três dias visitando Estados beneficiados pelas obras.
"Eu acho que depois do povo, depois dos trabalhadores, o canal em si é uma obra exuberante. Nós tivemos a oportunidade de ver o canal sendo cavado, tivemos a oportunidade de ver as máquinas quebrando pedra, depois tivemos a oportunidade de ver o canal quase pronto. É uma coisa extraordinariamente impactante e eu acho que o Brasil merecia essa obra."
Segundo o presidente, as obras vão mudar a cara do nordeste brasileiro, sobretudo o semiárido nordestino.
"É uma obra extraordinariamente importante para o Brasil. Muito mais importante ainda para os Estados do nordeste que são recebedores dessa água: Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco e mais importante ainda para 12 milhões de pessoas que moram no semiárido nordestino que são pessoas que vão ser beneficiadas com essa água."
Lula disse ainda que o projeto tem um volume de dinheiro muito grande. "São praticamente R$ 6 bilhões investidos nessa obra. Não apenas a água, mas o processo que nós estamos fazendo de fazer saneamento básico, coleta de esgoto em todas as cidades às margens do rio São Francisco. Ao mesmo tempo, nós estamos recuperando as margens do rio."
quarta-feira, 14 de outubro de 2009
Lula inicia viagem para vistoriar obras do Rio São Francisco
Luiz Ribeiro
Publicação: 14/10/2009 09:09 Atualização: 14/10/2009 09:16
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva inicia nesta quarta-feira (14/10) uma viagem de três dias pelo Rio São Francisco para ver de perto as obras de revitalização em Minas Gerais e na Bahia, além do projeto de transposição, em Pernambuco. As visitas ao Velho Chico são consideradas um pretexto para que Lula tente alavancar a pré-campanha presidencial da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT), que ele levará a tiracolo. As obras da bacia estão incluídas no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Anunciada como prioritária pelo governo, a transposição prevê um investimento de R$ 5 bilhões, enquanto a revitalização deve representar um gasto de R$ 1,5 bilhão.
Na semana passada, Dilma iniciou uma série de viagens para popularizar o seu nome. Primeiro, esteve em Salvador. No último domingo, participou da festa religiosa do Círio de Nazaré, em Belém, representando o presidente da República. O viés político do novo giro presidencial, criticado pela oposição, pode ser observado logo no seu ponto inicial, em Buritizeiro, onde Lula e sua comitiva, integrada ainda pelo ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima (PMDB), chegam pela manhã e serão recebidos pelo governador mineiro Aécio Neves (PSDB).
O avião de Lula descerá no aeroporto de Pirapora, separada apenas pelo rio São Francisco de Buritizeiro, que está na margem esquerda. Assessores do governo chegaram a anunciar que o presidente e a ministra Dilma visitariam obras de revitalização em Pirapora, já que obrigatoriamente precisam descer na cidade, administrada pelo prefeito Warmillon Fonseca Braga (DEM). Mas houve uma mudança de planos, e a comitiva, agora, visitará apenas as obras de recuperação da bacia em Buritizeiro, cujo prefeito é o padre Salvador Raimundo Fernandes (PT).
segunda-feira, 12 de outubro de 2009
Lula passará 3 dias vistoriando e dormindo em obras
Começa nesta quarta-feira (14) a “Caravana do São Francisco”. Durante três dias, Lula vai inspecionar as obras de transposição das águas do rio.
Deslocando-se de avião e helicóptero, o presidente vai pecorrer, até a sexta-feira (16), quatro Estados: Minas, Bahia, Pernambuco e Paraíba.
Acompanhado de governadores e ministros –entre eles Dilma Rousseff— Lula vai pernoitar duas noites em canteiros de obras.
A Transposição do São Francisco é uma das jóias da coroa do PAC. A obra está orçada R$ 5 bilhões.
Responsável pelo empreendimento, o ministro Geddel Vieira Lima (Integração Nacional) disse ao blog que já foram gastos cerca de R$ 2 bilhões.
A despeito disso, a oposição afirma que a obra não existe senão na propaganda oficial. Com a caravana, Lula tenta esvaziar esse discurso.
O presidente decola de Brasília na manhã de quarta, às 8h. Inicia o périplo por dois municípios de Minas: Buritizeiro e Pirapora.
No primeiro, verá obras de saneamento ainda inacabadas. No segundo, visitará uma estação de tratamento de esgoto já "concluída", segundo Geddel.
Nesse trecho, Lula deseja realçar o pedaço da obra que prevê a revitalização do São Francisco. Inclui a eliminação do despejo de dejetos no rio.
Em seguida, Lula voará para a cidade de Barra, na Bahia. Será apresentado ao que Geddel chama de “campo de provas”.
É onde estão sendo testadas as intervenções que, depois, são executadas na obra. Por exemplo: recomposição de matas ciliares, replantio das margens e dragagem.
É em Barra que funciona também a diocese de Dom Luiz Cappio, o bispo católico que realizou a infrutífera greve de fome contra a transposição do São Francisco.
No finalzinho da tarde de quarta, Lula embarca para Pernambuco. Desce em Arco Verde. Ali, pega um helicópeto.
Vai a um canteiro de obras assentado nos arredores da cidade de Floresta. Ali, Lula passará a sua primeira noite.
Junto com ele, entre outros, os ministros Geddel e Dilma, e os governadores Eduardo Campos (Pernambuco) e Cid Gomes (Ceará).
As autoridades vão dormir em alogamentos de madeira que servem de abrigo aos engenheiros da obra. Geddel mandou instalar aparelhos de ar-condicionado.
Antes do encontro com o travesseiro, Lula visistará um trecho da obra no qual há operários trabalhando no turno da noite.
O trabalho em três turnos –manhã, tarde e noite— fora uma exigência do presidente. A inspeção noturna é parte do “cala boca” que Lula deseja impingir à oposição.
Na manhã de quinta (15), Lula volta ao helicóptero. Inspecionará as obras do alto. Depois do sobrevôo, desce na Paraíba, onde o aguarda um pa©lanque.
O presidente vai discursar para um grupo de operários. Pelas contas de Geddel, as obras da transposição do São Francisco dão emprego a 8 mil brasileiros.
No meio da tarde de quinta, Lula e seu séquito voltam para Pernambuco. Pousam em Salgueiro e vão para outro trecho da obra.
Um trecho onde estariam avançados os preparativos para o bombeamento do rio. O objetivo final da transposição é despejar as águas do São Francisco em projetos irrigação no semi-árido.
Nesse canteiro, o presidente e sua comitiva passarão a segunda noite. De novo em alojamentos de madeira.
Geddel diz que são confortáveis: “Já dormi lá várias vezes”. O abrigo de Dilma recebe cuidados especiais do colega: “É mulher, não pode dormir em qualquer lugar”.
Quatro dias antes do início da caravana de Lula, esteve em Pernambuco o governador tucano de São Paulo, José Serra.
Virtual adversário de Dilma Rousseff, Serra foi, no último sábado (10), a Petrolina. Visitou obras federais que se arrastam, inconclusas, há anos.
Depois, foi à cidade de Santa Maria da Boa Vista. Pisou no maior assentamento do Incra no Nordeste, o Catalunha.
Ali, cerca de 600 famílias convivem com o drama da falta d’água. Serra, que não se assume como candidato, fez discurso de presidenciável diante de cerca de 500 acampados.
“Sou governador de São Paulo, não posso fazer nada por vocês”, disse. Foi como se quisesse dizer: Votem em mim para presidente que as coisas mudam.
O Catalunha fica a cerca de oito quilômetros do rio São Francisco, alvo das obras que Lula tenta pendurar nas manchetes como algo palpável.
Acompanhado dos senadores pernambucanos Sérgio Guerra (PSDB) e Marco Maciel (DEM), o "não-candidato" Serra distribuiu sorrisos, posou para fotografias.
A visita da comitiva 'demo-tucana' foi às páginas do “Jornal do Commercio” (só para assinantes), de onde o repórter extraiu as informações relatadas acima.
Escrito por Josias de Souza às 04h46
sexta-feira, 30 de janeiro de 2009
Empresas desistem do São Francisco
Em uma reunião com as empresas envolvidas na obra, o ministro Geddel Vieira Lima dirá que não faltará dinheiro para o maior empreendimento do PAC com recursos exclusivamente orçamentários e vai exigir mais rapidez no andamento dos trabalhos. O projeto de integração das bacias hidrográficas do Nordeste é estimado em mais de R$ 6 bilhões, se forem levados em conta os investimentos feitos na revitalização do São Francisco.Geddel diz que não há riscos de atraso em função das desistências. Mas afirma que atrasos não serão tolerados, sob pena de rescisão contratual e substituição pelo Exército. "Eles (os empreiteiros) que tratem de fazer o serviço". (págs. 1 e A4)
domingo, 30 de novembro de 2008
A transposição do Rio São Francisco permitirá o aparecimento de "novas Petrolinas", município que vive da fruticultura irrigada voltada à exportação
Projetos avaliados em US$ 15 bilhões sustentam o novo ciclo de crescimento em Pernambuco, que lidera a expansão da Região Nordeste, acima da média nacional. Empreendimentos recém-concluídos ou em fase de implantação devem contribuir para manter o ritmo em 2009. A soma de investimentos públicos e privados resultou na criação de cadeias produtivas ao redor de grandes pólos, capitaneados pelo Porto de Suape, que está recebendo estaleiro, refinaria, moinho e indústrias petroquímicas, com a geração de 25 mil empregos.
Para evitar a concentração econômica na região metropolitana, o governo estadual lançou uma política de incentivos fiscais para a instalação de empresas no interior. Já a transposição do Rio São Francisco permitirá o aparecimento de "novas Petrolinas", município que vive da fruticultura irrigada voltada à exportação.
(Valor Estados - Sinopse Radiobrás)
terça-feira, 19 de agosto de 2008
A vaca do sertão (Sebastião Nery - Tribuna da Imprensa)
- Minha gente, quem deu a nossa perfuratriz?
- Foi Novaes!
- O que é a perfuratriz faz?
- Tira água do chão e dá água para nós.
- E a vaca que dá leite para nossos filhos, bebe o quê?
- Bebe a água que a perfuratriz tira do chão.
- Então, quem dá leite a nossos filhos?
- É Novaes!
- Portanto, vamos votar em Novaes, a vaca do sertão!
Manoel Novaes
Durante mais de meio século, Manoel Novaes, nascido em Pernambuco e a vida inteira vivida na Bahia, cujo centenário foi em 6 de março último, alto, quase dois metros, voz de trovoada, cara grande e generosa de sertanejo, olhos ensolarados, foi exatamente isso: a vaca santa, leite e esperança, emprego e trabalho, no infinito sertão do São Francisco.
Manoel Novaes foi uma vida a serviço de um rio muito longo e um sertão muito seco. Médico, estava na Constituinte de 34. Na de 46, também. E conseguiu ver aprovado 1% da receita tributária da União para aplicação no Vale do São Francisco. Daí nasceu a Codevasf (Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco). Já advertia Novaes:
"Cometeremos um erro insanável se adiarmos por mais tempo seus problemas. As precipitações pluviométricas da região se tornam irregulares de ano a ano, as condições de navegabilidade pioram, as erosões das margens alargam e obstruem o leito, a evaporação das águas aumenta".
Ayres Brito
Sessenta anos depois, o São Francisco volta a ser o centro de um aflito debate nacional. O governo apresentou um projeto bilionário para transpor uma parte de suas águas e distribuí-las por estados do Nordeste. Tudo certo, se o rio tivesse saúde. Mas o rio está cada dia mais doente. Doente não doa sangue. Precisa de sangue. O ministro Carlos Ayres Brito, do Supremo Tribunal, sergipano, nascido às margens do rio, protesta:
"Promover a transposição de águas do São Francisco no contexto atual equivale a fazer transfusão de sangue de um doente terminal na UTI".
O assoreamento aumenta a cada dia, a ponto de hoje toda a extensão do rio possuir imensos bancos de areia, separados por estreitas vias por onde só conseguem passar pequenas lanchas de passeio. É um rio esvaído. E o governo quer matá-lo, a serviço dos empresários da irrigação.
São Francisco
Antonio Conselheiro disse que o sertão ia virar mar e o mar virar sertão. Já começou. Da hidrelétrica de Xingó até a foz do rio são 208 quilômetros, separando Alagoas e Sergipe. O leito do rio está quase todo transformado em um imenso mar de areia, bancos de areia. A 135 quilômetros da foz se pescam peixes de alto mar, como o robalo.
É o avanço das águas do oceano. A ponte que liga Sergipe a Alagoas, a 45 quilômetros da foz, até há poucos anos tinha uma lamina de água de 45 a 55 metros. Hoje, qualquer um pode atravessar o rio a pé, de moto ou a cavalo. As águas do rio chegam ao mar apenas por dois pequenos canais nos lados extremos da ponte. Quem duvidar, é só ir lá ver o desastre.
Transposição
De repente, o governo parou de falar na transposição. Há um mistério. Ninguém sabe como anda, se anda, se desanda, o projeto da transposição. O governo deve estar recuando por causa das mais de 20 ações que estão no Supremo Tribunal. Em voto, como sempre culto e brilhante, numa delas, o ministro Ayres Brito apontou a inviabilidade:
- O modo como o governo promove a licitação das obras da transposição agride ostensivamente os princípios constitucionais.
O fato de o São Francisco ser um rio nacional, que cruza cinco estados, implica em que qualquer obra nele realizada, visando beneficiar terceiros, tem que ter prévia autorização do Senado. E não houve. E o governo de Minas denunciou que não foi feito o Rima (Relatório de Impacto Ambiental) na bacia do rio, à margem dos estados por onde passa.
João Alves
Coordenado pelo ex-governador de Sergipe, João Alves, engenheiro especialista em recursos hídricos e com vários livros publicados sobre energia, rios, águas, chuvas e secas do Nordeste, e com estudos de técnicos, professores, ecologistas e membros do Ministério Publico, será lançado um livro que deverá chamar-se "Verdades e mentiras sobre o São Francisco".
É um estudo minucioso, detalhado, completo. Vai mostrar "o que o rio sofreu, pelo descaso das autoridades brasileiras, sem os mais elementares cuidados para sua preservação, com o surgimento de mais de 500 municípios às suas margens, o desmatamento indiscriminado da vegetação ciliar, o lançamento dos esgotos `in natura' das cidades, a instalação de indústrias sem a mínima vigilância ecológica, lançando todo tipo de detritos, e os efeitos destrutivos das explorações minerais e, mais recentemente, as águas contaminadas com agrotóxicos de irrigação".
Até o Banco Mundial vetou o projeto e se negou a financiá-lo, alegando que "com uma fração dos recursos (R$ 6,5 bilhões, que logo devem chegar a R$ 10 bilhões) que serão alocados, se poderia levar água potável a todos os habitantes do semi-arido brasileiro", do Nordeste. É o mensalão fluvial.
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domingo, 10 de agosto de 2008
Sem protestos, transposição do São Francisco já começou
Não há mais protestos contra a obra e as máquinas do Exército abrem em ritmo acelerado dois canais que vão desviar as águas do rio, relatam os enviados especiais Ribamar Oliveira e Wilson Pedrosa.
Já foi escavado 1,6 milhão de m3 de terra.
(O Estado de São Paulo - Sinopse Radiobrás)